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As Delícias Permitidas por Alá

As Olimpíadas e Paralimpíadas já passaram pelo Brasil, mas o que talvez você não saiba é que também vieram atletas que seguiram uma alimentação muito peculiar para enfrentar as modalidades do evento.

       Devido ao pequeno número de seguidores da religião muçulmana no Brasil, poucas pessoas no país sabem que, assim como muitos cristãos e judeus, os muçulmanos também seguem regras em relação à alimentação. Estamos falando da alimentação halal, a “culinária permitida” pelo Islã, de acordo com as escritas do Alcorão. O Comitê Olímpico que, sabiamente, soube respeitar a crença, apresentou a gastronomia halal como uma das cinco escolhas de buffet na Vila Olímpica, com cardápios personalizados. Mas afinal, como um prato pode ser considerado halal?

       Samir Haddad tem 29 anos, é jogador de vôlei pelo São Caetano e muçulmano, por isso é adepto a culinária halal. “Uma das coisas que mais podemos nos orgulhar do islamismo é a dieta halal. Para o muçulmano, adotar a dieta é uma questão de paz de espírito”. Para determinar se é halal, as regras já começam na fabricação. Leite, mel, plantas não intoxicantes, legumes frescos ou congelados, frutas frescas ou secas, leguminosas e grãos são permitidos. A nutricionista Renata Damasceno afirma que dieta halal não é benéfica apenas espiritualmente. “Está provado que a dieta halal contribui para a redução dos níveis de colesterol e do consumo de gordura saturada. Além disso, ocorre uma baixa na ingestão de toxinas e um menor risco de contaminação por doenças transmitidas pelo alimento”.

       Um artigo publicado pela revista Time, em 28 de julho de 2015, lançou a seguinte pergunta: seria a carne Halal mais saudável do que a carne convencional? A grande polêmica com a gastronomia halal realmente são com as carnes. Antes do abate, o degolador, um muçulmano e profissional, precisa garantir a morte instantânea do animal, sem sofrimento e pede autorização a Alá, como forma de mostrar obediência e agradecimento pela comida, reafirmando que não está matando o animal por crueldade. O animal deve ter uma alimentação natural e livre de impurezas. As carnes de porco são proibidas, por estarem ligadas a ambientes de sujeira. Também é proibido o consumo de animais com garras, como leões e ursos, e animais considerados repulsivos (baratas, moscas, etc.). O sangue dos animais não deve ser consumido. Já os peixes são considerados halal por natureza, porque saem da água vivos. Os muçulmanos costumam dizer que o oposto de halal é “haram”, ou seja, proibido, como o caso das carnes citadas e das bebidas alcóolicas, por deixarem os seres humanos fora da consciência. “Qualquer tipo de alimento “haram” é facilmente substituído na dieta, em relação os nutrientes necessários. Por isso, os esportistas muçulmanos nem se preocupam com isso”, explica Renata.

O Mercado Halal

       Para garantir que o alimento é halal no atual mundo globalizado em que vivemos, onde as produções são feitas em grande escala, existem instituições que acompanham os procedimentos de fabricação e abate nas indústrias, realizando laudos técnicos para comprovar que não existe qualquer ingrediente proibido. A mais famosa delas é a Cibal Halal (Central Islâmica Brasileira de Alimentos Halal), braço direito da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS), que atua no Brasil desde 1979.

       Como o número de consumidores muçulmanos ainda é muito pequeno no Brasil, a produção halal do país é basicamente para exportação. A maior concentração de seguidores do Islã está em São Paulo e a maioria é de imigrantes recentes, por isso, nosso mercado interno é mínimo e raramente encontramos produtos Halal nos supermercados, quando encontramos, percebemos que eles são mais caros que os convencionais. “O fato da mercadoria precisar passar por cuidados especiais acaba elevando um pouco o preço do produto Halal em relação aos demais, mas se trata de uma diferença quase insignificante se levarmos em conta todo o processo que envolve a produção, qualidade e distribuição da produção halal no mercado”, explica Renata. Para os brasileiros que querem comer esse tipo de alimento, existem algumas empresas pequenas que produzem em pouca quantidade, e que a própria Cibal indica.

A dieta halal é difícil de ser encontrada no mercado, porém é extremamente saudável!    Foto: Ilustrasi (net)

Por Bruna Magatti

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